Escrever por precisar fechar uma história com verdade, não com silêncio engolido. Ainda assim, dói.
Eu te amo!
E talvez essa seja a frase mais dura de todas para escrever agora, porque amar alguém não deveria custar a própria integridade.
Durante muitos anos, eu permaneci num lugar que me anulou como mulher, como escolha, como projeto de vida.
Permaneci porque amava, porque acreditava, porque ouvi inúmeras vezes “eu te amo” e quis acreditar que amor bastava. Mas amor, quando não se transforma em escolha, vira ferida.
Fui colocada por anos num lugar de “quase”: quase esposa, quase esposa, quase prioridade, quase vida. E uma mulher que ama, que é mantida nesse lugar indefinido, inevitavelmente sofre quando o “não” se impõe definitivamente — mesmo que nunca seja dito em voz alta.
Se eu não estivesse ferida, algo em mim estaria errado.
Todo verão essa ferida se reabre. E não é apenas um evento isolado, é o retorno de um trauma. O meu corpo aprendeu a reconhecer a dor antes mesmo que eu consiga racionalizar.
A estação que eu sempre amei, passou a me causar aversão, porque o corpo não esquece aquilo que a alma suportou por tempo demais.
Encerrar essa história não é apenas lidar com a perda de alguém. É fazer o luto da vida que imaginei, dos verões que nunca foram meus, do lugar de esposa que ocupei apenas nas minhas fantasias, alimentadas por palavras que nunca se transformaram em realidade.
Isso dói de uma forma que não cabe em explicações simples.
Hoje eu entendo algo fundamental: eu não fui menos amada. Eu fui insuficientemente escolhida. E isso não define o meu valor — define o seu limite.
Define o quanto você conseguiu amar sem precisar abrir mão de nada, enquanto eu precisei abrir mão de mim.
Essa relação me adoeceu.
Não porque faltou sentimento, mas porque sobrou renúncia. Eu não consigo mais viver num lugar onde sou sempre a segunda escolha, onde o amor existe, mas nunca é inteiro, nunca é assumido por completo.
Estou saindo não porque deixei de te amar.
Estou saindo porque preciso me preservar, me respeitar e me devolver a dignidade emocional que perdi tentando sustentar algo que sempre me custou mais do que a você.
Espero, sinceramente, que um dia você compreenda o peso das palavras que disse, das promessas que não cumpriu e do lugar em que me manteve por tanto tempo.
Não escrevo para ferir, mas para que exista consciência — porque o que vivemos foi real, e as marcas em mim também são.
A partir daqui, seguimos apenas como pais, com respeito e responsabilidade. Qualquer outro vínculo precisa terminar aqui.
Eu sigo ferida, mas sigo inteira. E isso, para mim, agora é inegociável.








